Ecologia também inclui humanos
Quase não consigo postar... Acreditem ou não, fiquei com a internet pela manhã normal e a tarde inteira daqui que é manhã no Brasil... Nada de internet!!
Ufa!! Mas estamos aqui!! Antes tarde que nunca, né?
Fiquei pensativa durante a semana inteira sobre como abordar esse assunto e vou dizer-lhes que não é fácil. Mas até que eu olhando da janela do meu apartamento me dei conta de uma coisa que é tão grave quanto os desmatamentos, poluição de dióxido de carbono...
Aqui na Índia há um problema gravíssimo que é a combinação crescimento econômico com falta de planejamento urbano. Essa combinação é extremamente perigosa, porque só se percebe o dano quando já não se pode voltar mais atrás.
Imaginem esse cenário... Vastas extensões de terra não habitadas, com população miserável demandando trabalho, um monte de empresas querendo usar essa população e não tendo onde se instalar, e aí, outro grupo de empresas se prepara para construir, edificar e instalar essas empresas. Soma-se a isso, um governo que insiste em ter o monopólio dos serviços públicos... Essa é a combinação tipo “Bomba de efeito retardado” para a ecologia na Índia... Ela explode e você só se da conta depois!!!
É quase como fumar cigarro... Os primeiros anos você nem consegue entender porque tanta gente diz que faz mal... Na primeira década você sente os efeitos, mas acha que pode ser por outras razões... Em um par de décadas, você sabe que o mal feito não tem volta...
É fácil entender como esse mal se alastra.
Primeiro, a iniciativa privada é muito mais rápida que o governo. Construir edifícios, Shoppings etc... É muito mais rápido que construir rede de esgotos, água, combustível, via públicas e parques... Como o estado não provê isso em tempo, cada um dá seu jeito, porque com o ritmo que se vai, é impossível fiscalizar.
Ponto... Está aí uma receita infalível para um desastre ecológico de proporções “indianas”...
É fazendas e matas nativas dando espaço para construções desordenadas da noite para o dia. Como não há transporte, os trabalhadores constroem suas moradias temporárias nos arredores... É muito comum ver macacos e pequenos animais dividindo espaço com a população local em busca de comida, porque seu habitat desapareceu enquanto ele dormia na árvore.
O mesmo pequeno riacho onde esses moradores se abastecem de água não tratada, é onde os prédios deságuam seu esgoto. É muito fácil ver pequenas endemias de cólera e viroses decorrentes de baixas condições sanitárias. Imaginem que a população miserável daqui vive na beira das ruas e estradas em barracas improvisadas e que suas necessidades fisiológicas são feitas ao ar livre! Tão normal fazer ao ar livre que é comum você avistar várias pessoas de cócoras ao longo das estradas fazendo as suas necessidades escatológicas! Seria para rir ou “sacanear” se você não estivesse entendendo o impacto que isso tudo está fazendo no meio ambiente local.
Poxa Poliane... Mas você pode encontrar isso em qualquer parte do mundo onde haja população de baixa renda... Sim, é verdade, mas faça uma conta rápida. Pegue toda a população favelada do Brasil (30% da população, certo?), Na índia a taxa de pessoas que ganha menos que 1 dolar ao dia é de 65%.
30% da população brasileira é de 60 milhões de pessoas
65% da população da Índia é 700 milhões de pessoas. 3,5 populações do Brasil inteira.
Agora pega esse mundaréu de gente e coloca em 40% do espaço territorial do Brasil.
Isso sem contar que o não favelado indiano é tão desprovido de cultura ecológica quanto George W. Bush.
Se assustou agora??
Ainda não acabou. A cultura religiosa do país faz uso dos rios de cemitério. Eles cremam o corpo e jogam as cinzas no rio. Mas é muito comum pessoas peregrinarem sozinhas ao fim da vida, porque querem que suas cinzas sejam depositadas em um determinado rio. E lá vai um senhor ou senhora de mais de 60 anos andar por anos quase
Poderia eu ficar horas e criar milhares de linhas sobre o descaso ecológico indiano, mas a idéia era demonstrar que mais que salvar baleias, florestas, micos-leões dourados, ou a ararinha verde e amarela que só existe na ponte que partiu... O primeiro e mais importante passo a ser dado para cuidar da ecologia é dar dignidade ao ser humano, dar consciência e instrução necessária que é preciso manter para transformar e não somente destruir...
Contribuição do meu indignado, mas digníssimo, marido Eduardo.
Esse texto é parte integrante da blogagem coletiva do dia 05/06, para o dia da Ecologia. Incentivado pelo Lino Resende.











|